FICE: bonito como diamantes no céu

 

Há três anos, recebi o convite de Daniela Perez para participar do primeiro Festival Internacional Corpo Expandido (FICE) que aconteceria na cidade de Palmas, no Tocantins. “Uma cidade muito iluminada, reflete o calor”, diriam. Seria possível ver e experimentar a sensação do vazio. Disseram muita coisa sobre Palmas e, quando as coisas estão longe, narra-se, inventa-se a verdade.

 

No aeroporto, há muito espaço para receber os que chegam. Na cidade, as avenidas são largas e se parecem com aquelas de Brasília. Tudo é longe em Palmas, como a sensação de liberdade produzida no corpo de quem vive distante.

 

Em cinco dos dias mais frescos dessa cidade, esperava pelo sol quando, entre um trabalho e outro, com alguns dos artistas convidados, visitávamos lagos, rios, cachoeiras, parques e nos deparávamos com animais que vivem como querem, onde querem. In situ, Palmas ganhou tônus. A construção e o abandono estão espalhados pela cidade, nos monumentos que vivem na plenitude de sua estabilidade, debaixo do sol, faz vinte e sete anos. À noite, os postes de luz projetam a sensação do sol que permanece como metáfora. Lembrar de cada uma dessas passagens é como ainda estar em Palmas. É possível lembrar ainda mesmo estando lá.

 

Em Palmas, a vontade de ficar sozinho desaparece. É preciso ter companhia – necessidade autoral, e não método. Acontece. Muitos se conhecem, inclusive o público do FICE, que encheu o Teatro Sesc e o Teatro Fernanda Montenegro durante as apresentações. Havia muita gente em busca da companhia de artistas ainda não conhecidos. A curiosidade em Palmas é mais importante que o receio. O público com rosto, como nomeou Cláudia Müller, estava presente.

 

FICE é um projeto em que a força artística se sobrepõe às imposturas políticas. É acontecimento em lugar sólido, como flor que nasce em pedra – essa que Drummond descreveu e que desde que foi vista continua, até o momento, fixa, no meio do caminho.

 

 

 

 

 

 

 

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