TUMBA

 

Pretendia chamar este projeto de A tristeza da cópia imperfeita — título da pintura que aparece em meu romance Nunca juntos mas ao mesmo tempo — até Daniel me enviar as fotografias que ele havia tirado durante nosso ensaio. Ele nomeou o arquivo: Tumba. A tradução se tornou dispensável.

 

A primeira ação de Tumba aconteceu durante nossa visita ao pavilhão Les Grandes-Serres localizado em Pantin, ao lado de Paris. Betina mediu a extensão do buraco aberto no chão. Tinha o meu tamanho. Mas entrar naquele lugar ainda vivo parecia não fazer sentido — ele condenava aquilo que ainda podia respirar. Saí do experimento com a impressão de que alguma coisa tinha se agarrado ao meu corpo, fora do tempo. Uma semana depois, voltei ao local para fazer fotos. Esticado por mais ou menos uma hora, escutei o som de pedras caindo, vozes que vinham de longe, o acelerador dos carros, o apaziguamento da minha respiração, o clique do aparelho fotográfico, os comentários de Alexis, que acompanhou toda a sessão. Era como se, mesmo na posição horizontal, a sonoridade transformasse o óbito. Abri os olhos e me vi de pé.

 

Criação: Wagner Schwartz

Escultura: Alexis Blanc

Imagem: Daniel Nicolaevsky Maria

Apoio:  SAM Art Projects, Studio Iván Argote

Sob o olhar de: Betina Zalcberg, Julio Villani, Stéphane Cachat

Produção: Corpo Rastreado | Gabriela Gonçalves

Performance apresentada durante a exposição

Amanhã há de ser outro dia no atelier Iván Argote, em Pantin, França

Curadora: Sofía Lanusse
Uma iniciativa de: Sandra Hegedüs

J'ai voulu appeler ce projet La tristesse de la copie imparfaite — titre de la peinture qui apparaît dans mon roman Jamais ensemble mais en même temps — jusqu’à ce que Daniel m’envoie les photos qu’il avait prises pendant notre répétition. Il a nommé le dossier : Tumba. La traduction est devenue inutile.

 

Le premier acte de Tumba a eu lieu lors de notre visite au pavillon des Grandes‑Serres, à Pantin. Betina a mesuré l’étendue du trou ouvert dans le sol. C’était ma taille. Mais entrer dans ce lieu encore vivant semblait n’avoir aucun sens — il condamnait ce qui pouvait encore respirer. J’ai quitté l’expérience avec l’impression que quelque chose s’était accroché à mon corps, hors du temps. Une semaine après, je suis revenu sur place pour prendre les photos. Allongé pendant environ une heure, j’ai entendu le bruit des cailloux tomber, des voix lointaines, l’accélérateur des voitures, l’apaisement de mon souffle, le clic de l’appareil photo, les commentaires d’Alexis, qui a accompagné tout le tournage. C’était comme si, même en position horizontale, la sonorité transformait la mort. J’ai ouvert ensuite les yeux et je me suis vu debout.

 

Création : Wagner Schwartz

Sculpture : Alexis Blanc

Image : Daniel Nicolaevsky Maria

Soutien : SAM Art Projects, Studio Iván Argote

Sous le regard de : Betina Zalcberg, Julio Villani, Stéphane Cachat

Production : Corpo Rastreado [BR] | Gabriela Gonçalves

Performance présentée pendant l'exposition

Amanhã há de ser outro dia | Demain sera un autre jour dans l'atelier Iván Argote, à Pantin

Commissariat : Sofía Lanusse

Une initiative de : Sandra Hegedüs

I wanted to call this project The sadness of an imperfect copy — title of the painting that appears in my novel Never together but at the same time — until Daniel sent me the pictures he had taken during our rehearsal. He named the file: Tumba. The translation became dispensable.

The first action of Tumba took place during our visit to the Les Grandes-Serres pavilion located in Pantin, near to Paris. Betina measured the extent of the open hole in the ground. It was my size. But entering that place still alive seemed to make no sense — it condemned that which could still breathe. I left the experiment with the impression that something had clung to my body, out of time. A week later, I returned to the area to take photos. Laying down for about an hour, I heard the sound of falling rocks, voices coming from far away, the accelerator of the cars, the calming of my breath, the click of the camera, the remarks of Alexis, who accompanied the entire session. It was as if, even in the horizontal position, the sonority transformed death. I opened my eyes and saw myself standing.

Creation: Wagner Schwartz
Sculpture: Alexis Blanc

Image: Daniel Nicolaevsky Maria
Support: SAM Art Projects, Studio Iván Argote

Under the eye of: Betina Zalcberg, Julio Villani, Stéphane Cachat

Production: Corpo Rastreado [BR] | Gabi Gonçalves

Performance presented during the show

Amanhã há de ser outro dia | Tomorrow will be another day at Iván Argote atelier, in Pantin, France

Curator: Sofía Lanusse

An initiative of: Sandra Hegedüs