PLACEBO

“Se soubesse que viríamos aqui para ver TV, eu teria ficado em casa." Comentário do público

 

De acordo com seus efeitos farmacológicos, placebo é uma preparação neutra, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de controlar as reações de natureza psicológica. Nesta instalação, placebo ganha uma abrangência metafórica na construção de um “terceiro endereço”, um espaço itinerante em que ambientes podem ser recriados sucessivamente, desdobrando seus sentidos imediatos.

 

Concepção, performance e direção dos vídeos: Wagner Schwartz

Acompanhamento do projeto: Adriana Banana, Maíra Spanghero, Lucas Laender

Direção técnica: Alexandre Molina

Objetos: Caroliny Pereira, Fauster Martins, Lucas Laender

Texto Chá de Freud: Luiz Fernando Gallego e Wilson Amendoeira

Vídeos: Produtofinal Comunicação Multimeios

Performers vídeo Filtro: Lucas Laender, Natália Oliveira, Patrícia Neves

Subsídio: Fórum Internacional de Dança (FID) Território Minas

Produção: Gabriela Gonçalves

SEGUNDA-FEIRA, 29 DE AGOSTO DE 2005

O ESTADO DE MINAS / MARCELO CASTILHO AVELLAR

 

Uma performance amarga

 

Placebo trabalha com a possibilidade de esvaziamento do significado do corpo humano na sociedade contemporânea. O assunto dá uma ampla dimensão de sua relevância mundial. Schwartz trabalha com a desumanização de um corpo transformado em objeto de consumo. Placebo busca um discurso mais ideológico, desde o manifesto inicial escrito e lido pelo artista até as relações que estabelece entre corpo, espaço e objetos, entre mobilidade e imobilidade. O efeito acaba sendo particularmente forte porque antes de Placebo é mostrado Transobjeto, que estreou no ano passado. A essência das duas obras é a mesma, a revisão de elementos da cultura brasileira por uma ótica antropofágica. As duas se assemelham, também, na maneira como usam o deboche como ferramenta estética e didática, e na percepção política da condição marginal do Brasil e sua cultura. Mas algo ocorreu ao artista entre um e outro espetáculo. Enquanto Transobjeto é alegre e flamejante como os balangandãs de Carmen Miranda, Placebo é incômodo, desconfortável, mórbido. O inimigo é o mesmo, as táticas de guerrilha também – mas Wagner pode estar naquele ponto terrível de qualquer guerra, em que a euforia inicial já se desvaneceu e a perspectiva de vitória ainda não surgiu.

01/01/2018 Performatus / Tales Frey Falar do Que Eu Vejo. Falar do Que o Outro Me Fala. Falar do Que Pode Ser Falado

 

 

 

 

 

 

 

 

« Si je savais qu’on allait venir ici pour regarder la télé, je serais resté chez moi. » Commentaire du public

 

En fonction de ses effets pharmacologiques, le placebo est une préparation neutre qui remplace un médicament donné, qui contrôle les réactions psychologiques. Dans cette installation, placebo dispose d’une étendue métaphorique dans la construction d’une « troisième adresse », un espace itinérant dans lequel des environnements peuvent être recréés successivement en dépliant leurs sens immédiats.

 

Conception, performance et direction des vidéos : Wagner Schwartz

Conseil artistique : Adriana Banana, Maíra Spanghero, Lucas Laender

Directeur technique : Alexandre Molina

Objets : Caroliny Pereira, Fauster Martins, Lucas Laender

Texte « Chá de Freud » : Luiz Fernando Gallego et Wilson Amendoeira

Vidéos : Produtofinal Communication Multimédia

Performers vidéo Filtre à eau : Lucas Laender, Natalia Oliveira, Patricia Neves

Avec le soutien du Forum International de Danse (FID)

Production : Gabriela Gonçalves

 

 

 

“If I knew we would come here to watch TV, I would rather stay home.” Commentary from the public

 

In accordance with its pharmaceutical effects, placebo is a neutral preparation, given in substitution of a medicine, to control the reactions of a psychological nature. In this show, placebo gains a metaphoric range in the construction of a “third address”, an itinerary space where environments can be recreated successively, unfolding their immediate meaning.

 

Conception, performance and video direction: Wagner Schwartz

Artistic advice: Adriana Banana, Maíra Spanghero, Lucas Laender

Technical director: Alexandre Molina

Stage props: Caroliny Pereira, Fauster Martins, Lucas Laender

Text Tea with Freud: Luiz Fernando Gallego and Wilson Amendoeira

Performers video Water Filter: Lucas Laender, Natália Oliveira, Patrícia Neves

Financial support: Fórum Internacional de Dança (FID)

Production: Gabriela Gonçalves

 

FRIDAY, AUGUST THE 29TH 2005

O ESTADO DE MINAS / MARCELO CASTILHO AVELLAR

 

A bitter performance

 

Placebo works with the possibility of the human body’s being meaninglessness in contemporary society. The subject gives ample evidence of its worldwide relevance. Schwartz works with the dehumanization of a body transformed into a consumer good. Placebo seeks a more ideological approach, from the initial manifesto written and read by the artist at the beginning of the performance to the relations he establishes between body, space and objects, between mobility and immobility.The effect ends up being particularly strong because Transobject, which had had its premiere the year before, was shown before Placebo. Both works have the same goal, the revision of Brazilian culture from an anthropophagic perspective. Both performances are also alike in the way they use mockery as an aesthetic and didactic tool, and in the political perception of the marginal condition of Brazil and its culture. But something had happened to the artist between the two works. While Transobject is cheery and sparkling like Carmen Miranda’s “balangandãs” (colorfully exaggerated necklaces, earrings and bracelets), Placebo is troubling, unsettling, even morbid. The enemy is the same, the guerilla tactics too –and Wagner seems to be at that horrible stage of any war, at which the initial euphoria has worn off, and the perspective of victory has not emerged yet.